Tecnologia: a nova Era do palpável

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Lia na edição de março da revista VIP um pequeno artigo sobre uma nova tendência tecnológica surgida na Europa: a volta do gravador de fitas de rolo. Quem for mais jovem não deve se lembrar do aparelho, mas ele marcou a vanguarda da tecnologia de uso pessoal; precedeu diversos aparelhos que, hoje, foram banalizados.

É claro que ao lançar o tape deck Ballfinger M063, a fabricante mirou em um público específico – não só pela utilidade, como pelo preço de € 27 mil, o equivalente a R$ 90 mil: gravadoras, produtores e músicos profissionais, que buscam maior qualidade de som.

Ballfinger M063 sai a € 27 mil
Ballfinger M063 sai a € 27 mil

E a repercussão do lançamento do produto durante uma feira na Alemanha, no mês de fevereiro, já despertou o interesse de antigos fabricantes, como Stunder e Revox, para a retomada da produção de similares.

Isso me chamou a atenção para como a tecnologia, às vezes, parece dar um passo a frente e dois atrás. Vejam só: alcançamos um estágio do desenvolvimento da tecnologia que nos permite colocar nossa vida inteira na ‘nuvem’. A rotina atual de escritórios e órgãos públicos é movida dessa forma. Na indústria da música, nossos favoritos estão na palma da mão.

Mas acredito que já vivemos uma nova Era do palpável. Um dos motivos que me levam a acreditar nisso é o retorno do vinil (abrindo um parêntesis, por falar em música, é estranho pensar que o vinil tenha maior qualidade de áudio que o CD – que surgiu exatamente para marcar um avanço na qualidade).

O outro, é o movimento crescente no setor de varejo de livros no Brasil, seja de venda de livros nacionais ou até importados. Não à toa, qualquer youtuberzinho com mais de mil seguidores já quer lançar sua ‘biografia’.

Imagine você receber alguma visita em casa e dizer que gosta de determinadas bandas e autores de livros e não ter nada para mostrar, porque eles estão no celular, tablet ou notebook. Necessitamos ter uma estante cheia de livros, um hack lotado de CDs e DVDs para mostrar. Mais que isso, ter essas obras à mão é o modo mais fácil de interagir com elas e dizer ‘é meu, de mais ninguém’.

Há mais ou menos uns 10 anos, quando vi pela primeira vez o clipe de What Sarah Said (do player acima), da banda americana Death Cab For Cutie, em que começa e termina com o gravador de rolo, pensava ser uma referência ao passado. Não, era ao futuro.

La La Land: uma análise sobre o musical

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Estreou em grande parte dos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (19) – embora em poucos a estreia tenha acontecido no dia 12 – La La Land: Cantando Estações (La La Land, 2017). Já havia lido excelentes recomendações; mas, após a entrevista de Emma Stone – protagonista – no The Tonight Show e a gigantesca empolgação de seu apresentador, Jimmy Fallon, sobre o filme, fiquei obstinado a assisti-lo. Deixo minha análise sobre o musical.

Encantado, extasiado, enlevado. Todas as palavras de um dicionário que, juntas, poderiam transmitir meu sentimento após o término da sessão seriam insuficientes para tal propósito. É algo mais sublime, um elevado estado de espírito.

La La Land é de tirar o fôlego de início, em uma cena que já evidencia sua essência. Uma fabulosa e muito bem sincronizada sequência em único take, que cria o ambiente perfeito para o início dessa jornada, demarcada pelas estações do ano.

No trânsito da movimentada Los Angeles, Sebastian (Ryan Gosling) – aplicado e marrento jazzista – e Mia (Emma Stone) – desajeitada, porém perseverante atriz – se conhecem nas piores condições. Entre vários ‘esbarros’, Seb e Mia se apaixonam.

Ryan Gosling e Emma Stone em La La Land
Ryan Gosling e Emma Stone em La La Land

Ele tem o sonho de abrir seu próprio clube de jazz, em que o estilo seja verdadeiramente reconhecido. Ela, de se estabelecer como atriz. Ambos incentivam as realizações um do outro, embalados por tudo que a música traz de melhor.

Emma Stone é Mia em La La Land
Emma Stone é Mia em La La Land
Ryan Gosling vive Sebastian em La La Land
Ryan Gosling vive Sebastian em La La Land

O maior obstáculo para esse casal vai ser a própria vida. O êxito, na realização do sonho de cada um, vai levá-los a caminhos opostos. No fim, o enredo mostra que o amor e o respeito são capazes de resistir mesmo após anos.

É claro que La La Land se fundamenta em diversas referências clássicas, mas seduz ao demonstrar, em si, grande sensibilidade, desde suas músicas aos planos minuciosamente trabalhados. Mais que um romance, La La Land me pareceu uma extraordinária declaração de amor a Los Angeles.

Sebastian (Ryan Gosling) e Mia (Emma Stone) vivem grande amor em La La Land
Sebastian (Ryan Gosling) e Mia (Emma Stone) vivem grande amor em La La Land

Se se aproxima a um ‘clássico’, não sei dizer; mas La La Land têm o mérito de proporcionar à minha geração deleitar-se na grande tela o que somente conhecia por meio da televisão. Mas, como uma excêntrica joia, talvez seja apreciada somente por poucos.

Passageiros: minha opinião sobre o filme

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Na primeira semana do ano, estreou nos cinemas Passageiros (Passengers, 2017). Fui assistir, e deixo minhas impressões sobre o filme.

Se você estivesse sozinho em uma ilha, soubesse que passaria a vida inteira por lá e tivesse a opção de levar alguém, quem levaria? Esse é um dos questionamentos levantados em Passageiros.

A ilha – nesse caso – é uma espaçonave gigante, viajando a 50% da velocidade da luz, rumo a um planeta muito distante, levando uma grande população – todos em estado de hibernação – para povoar esse novo planeta.

Chris Pratt é James em Passageiros
Chris Pratt é James em Passageiros

A viagem duraria nada menos que 120 anos, mas por uma falha, um dos passageiros, James Preston (Chris Pratt), é acordado bem antes do previsto – faltando 90 anos para chegar ao destino, e sem poder voltar para a hibernação. Se você estivesse nessa situação, o que faria?

Jennifer Lawrence vive Aurora
Jennifer Lawrence vive Aurora

Tendo um ‘mundo’ inteiro viajando pelo espaço ao seu dispor, James optou por uma companhia. Aurora Lane (Jennifer Lawrence) é uma jornalista e escritora, e teria a missão de viver um ano nesse novo planeta e voltar para a Terra, para contar a experiência. Aurora é acordada por James, e vivem um romance.

A ficção científica traz à luz, também, esse dilema: e se você tivesse sua vida destruída, encurtada por outra pessoa em nome apenas de uma paixão? E se você tivesse que escolher entre voltar ao estado de hibernação – tendo de volta essa opção – e viver esse amor até a morte certa, o que escolheria?

Passageiros mostra desafios e maravilhas da viagem espacial
Passageiros mostra desafios e maravilhas da viagem espacial

Passageiros tem o grande trunfo de mostrar situações interessantes pelo espaço, como uma caminhada espacial e a possibilidade de ver, com os próprios olhos, o que há no gigantesco Universo; passear por bem perto a uma estrela parecida com o nosso Sol; e os desafios da comunicação no espaço, com mensagem que vagam pelo infinito e escuro espaço sideral e tardam até serem recebidas na Terra.

Me impressionou, ainda, o filme ser interessante mesmo com poucos personagens. Além do casal, apenas Gus (Laurence Fishburne) e Arthur (Michael Sheen) estão entre no enxuto elenco durante todo o enredo.

Passageiros, nos cinemas
Passageiros, nos cinemas

No entanto, Passageiros faz o espectador sentir o peso de suas quase duas horas de duração, com a primeira metade bastante tediosa. Outro pecado, ao meu ver, é presumir viagens espaciais tão demoradas – embora eu entenda que, caso contrário, o roteiro não se sustentaria.

Ao final, tendo um casal como protagonista, Passageiros escancara mais romance que ficção científica em si.

Minha mãe é uma peça 2: minha opinião

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Dá para um filme ficar melhor em sua segunda versão. Dá sim. Minha mãe é uma peça 2 (2016), com toda a força nessas férias de janeiro, consegue isso. Repetindo o sucesso da primeira versão, o filme tem lotado sessões mesmo duas semanas após sua estreia, e eu – aproveitando minhas curtas ‘férias’ – fui assistir, e deixo minha opinião.

Se prepare para gargalhar no cinema, e muito. Minha mãe é uma peça 2 é uma comédia que vai te fazer esquecer qualquer tipo de problema durante uma hora e meia de sessão, ainda que traga uma grande reflexão sobre o cotidiano da família brasileira.

O enredo gira em torno do desejo de Juliano (Rodrigo Pandolfo) e Marcelina (Mariana Xavier), filhos de Dona Hermínia (Paulo Gustavo), de sair de casa e ‘ganhar o mundo’. Mas como reagiria uma mãe ‘hiperprotetora’ ao ver seus filhos, ainda que com seus defeitos, se distanciando? Dona Hermínia, com toda a certeza, com muito escândalo.

Para quem assistiu a primeira versão, Minha mãe é uma peça 2 é a oportunidade de ver a realização de Hermínia e seus filhos, encontros e até despedidas. A peça deixa, ainda, um gostinho de quero mais. Quando vencida pelo sucesso de Juliano e Marcelina, ela decide aproveitar a vida. Será que vem mais aventuras de Dona Hermínia por aí?

Blue Jay: minha opinião sobre o filme

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Nos últimos dias, venho experimentando a dor de mais uma decepção – ou uma atrás da outra, como escrevi no Twitter –, e para ‘curtir essa dor’, tenho varrido todo o estoque de filmes românticos independentes do Netflix, e me deparei com Blue Jay (2016). Queria deixar a vocês algumas impressões sobre o filme.

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Blue Jay é um dos filmes exclusivos do Netflix. Conta a história de um casal de ex-namorados, Jim (interpretado por Mark Duplass) e Amanda (Sarah Paulson), de volta à sua cidade natal. Por mero acaso, eles se encontram num mercado e começam uma expedição ao passado. Nessa ‘jornada de um dia’, ambos refletem sobre suas decepções nas vidas que levam atualmente.

O enredo se passa todo em preto e branco, o que, por si só, já o torna ainda mais especial. Na casa onde passou a infância, Jim faz uma viagem por memórias da família e de sua história com Amanda. Gravações, cartas e recordações ajudam os dois a se lembrarem do que viveram há 20 anos.

A história desse casal é interrompida por um abrupto rompimento, o que nos faz refletir sobre o que algumas decisões – até talvez imaturas – tomadas em nossas vidas podem representar em nosso destino e mudar no destino de quem se ama, ou se amou no passado.

Inesperada e apaixonante história.

E vocês, têm algum filme para indicar para minha jornada? Indiquem pelos comentários, no meu perfil ou página do Facebook, no meu perfil ou perfil do blog no Twitter, ou ainda no e-mail contato@mauricio.jor.br.

Quando tive a ideia de fazer esse texto, não sabia como iniciá-lo, e nem como ele iria terminar. Só quero que seja um desabafo, uma forma de compartilhar com alguém que se interesse um pouco do que está acontecendo.

Faz um bom tempo que perdi o apreço pela vida. E nesse tempo, já pedi socorro várias vezes. Mas não importa o quanto você clama por ajuda, grita, nem quem está mais próximo de você é capaz de te ouvir. E nessa batalha, estou sozinho.

Tudo isso foi desencadeado pela grande carga de estresse que tenho passado, de estar onde não quero mais estar; de fazer o que não quero mais fazer.

O ofício me obriga a lidar diariamente com situações de violência e impunidade, com pressão, sobrecarga, com um horário ingrato e uma rotina desgastante – que, a meu ver, alguém só poderia ser submetido a um breve intervalo de tempo, e eu cumpri por uma jornada profissional de já quase 10 anos.

São coisas com as quais já tentei romper e, atualmente, são a maior amarra para seguir em frente. Mas como disse… nessa, também estou sozinho.

Certa vez, encontrei um artigo sobre depressão, e de todos os sintomas para ela citados no texto, eu tinha – ou tenho – praticamente todos: alteração de peso, distúrbio de sono, apatia, fadiga, dificuldade de concentração, baixa autoestima e pensamentos de suicídio ou morte – o que só não aconteceu por falta de coragem.

Não procurei assistência médica – o que é errado! –, mas à essa altura, acho que pouco importa. Por mais em evidência eles estejam, sempre são julgados por parentes, amigos ou colegas de trabalho como ‘frescura’. É verdade: somos programados para ver somente o que queremos ver.

Esses demônios, os terei que enfrentá-los… sozinho. Espero ter forças para isso.

Se tudo isso me ensinou alguma coisa foi ter a vontade de querer mudar, mesmo que o futuro seja incerto. E ainda quero botar um ponto final em tudo isso.

Se você está passando por algo similar, tenho certeza que já procurou ajuda… mas continue tentando. E se você identificou alguém que esteja passando por isso, não negligencie a situação; ajude.

Não há dinheiro, não há status, não há nada que supere a sensação de viver a vida com qualidade.

Stranger Things

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Stranger Things: o que dizer? Foi grande a repercussão da nova série do serviço de streaming Netflix, e fui contaminado por ela – apesar de não ser fã do gênero suspense. O sucesso da websérie de oito horas e capítulos distribuídos à vista só comprova que a audiência cada vez mais migra das tradicionais mídias para o catálogo não linear das produções. Deixo aqui algumas impressões sobre Stranger Things, que estreou neste mês de julho de 2016.

Garotos buscam por amigo desaparecido em Stranger Things
Garotos buscam por amigo desaparecido em Stranger Things
A história criada por Matt e Ross Duffer é ambientada em 1983, na calma cidade de Hawkings. Tudo começa com estranhos acontecimentos que resultam no misterioso desaparecimento do inocente garoto Will Byers (Noah Schnapp). A partir daí, seus amigos Mike (Finn Wolfhard), Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin (Gaten Matarazzo); seu irmão Jonathan (Charlie Heaton); e o chefe de polícia Hopper (David Harbour) iniciam uma intensa busca para achar o garoto.

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A busca, no entanto, é cercada de mistérios e experiências sobrenaturais. Joyce (Winona Ryder), mãe de Will, acredita se comunicar com o garoto desaparecido mesmo com todos acreditando que ele está morto. O ceticismo, entretanto, vai caindo por terra depois que cada um dos personagens passam a viver situações paranormais.

Winona Ryder é Joyce em Stranger Things
Winona Ryder é Joyce em Stranger Things
No centro de todo o mistério e desses fenômenos está a menina Onze (Millie Brown), chamada assim porque leva o numeral ‘011’ em seu braço. Ela foi alvo de diversas experiências comandadas pelo Dr. Martin Brenner (Matthew Modine). Ele e agentes do governo buscam recapturar a jovem, que, junto de Mike, Lucas e Dustin, tenta entender o que acontece com sua mente.

Busca leva a estranhos experimentos do governo
Busca leva a estranhos experimentos do governo
A chave da explicação dos fenômenos está na ciência. As crianças creem que o desaparecimento de Will e outros acontecimentos são provocados pelos ‘buracos de minhoca’ ou ‘pontes de Einstein-Rosen’ – atalhos no espaço-tempo estudados por Albert Einstein e Nathan Rosen –, que poderiam criar portais para outras dimensões, ou mais especificamente o ‘Mundo Invertido’. Foi nesse ponto que a série me conquistou.

O roteiro de Stranger Things utiliza de elementos de jogos de RPG para criar uma trama consistente e que te prende de início ao fim. Seus personagens são cativantes, e não poderia deixar de ser com um elenco tão competente e afinado. Sua objetividade é compatível com o imediatismo dos espectadores e acerta na perfeita caracterização, trazendo elementos de verdadeira nostalgia para quem assiste.

Suspense e angústia de sobra para quem já espera pela segunda temporada – garantida, mas sem data de distribuição prevista.