Região Metropolitana de São Luís registra mais de 700 mortes violentas

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É como se duas pessoas fossem assassinadas a cada dia; uma média de 60 mortes a cada mês. Em 2016, a Região Metropolitana de São Luís – que, além da capital do Maranhão, inclui os municípios de Raposa, Paço do Lumiar e São José de Ribamar – registrou 742 casos de crimes violentos letais intencionais, nome técnico para as mortes violentas – veja todos os dados em infográficos interativos e orientações de segurança.

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) mostram que São Luís concentra a maior parte (mais de 70%) dos casos de homicídios dolosos, roubos seguidos de morte (latrocínios) e lesões corporais seguidas de morte. No período, foram 501 homicídios e 24 casos de latrocínio.

São José de Ribamar, terceira mais populosa cidade do Maranhão, concentra quase 18% dos casos de homicídios na Região Metropolitana. Em 2016, foram 124 casos na cidade. Paço do Lumiar vem em seguida, com 52 homicídios em todo o período.

Em 2015, duas mil mortes violentas foram registradas no Maranhão

Dados do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública sobre mortes violentas intencionais registradas no Brasil nos anos de 2014 e 2015, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostram que Maranhão viu, nesse período, praticamente todos os índices de violência aumentarem.

Em 2015, foram registradas 2.333 mortes violentas intencionais, uma taxa de 33,8 para cada 100 mil habitantes, acima do índice nacional de 28,6 mortes. É pouco mais de seis mortes por dia. Em 2014, foram registradas 2.158 mortes violentas, 175 a menos que no ano seguinte.

Em 2015, casos de mortes violentas passaram de dois mil em todo o Maranhão
Em 2015, casos de mortes violentas passaram de dois mil em todo o Maranhão

Dos total de crimes letais intencionais, os homicídios dolosos são os que se destacam no anuário: em 2015, foram 2.007; contra 1.902 homicídios dolosos registrados em 2014.

Ainda em grande número, ocorrências contra bancos no Maranhão têm queda

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Ações de criminosos contra bancos assustaram moradores de pelo menos 52 cidades maranhenses. Apesar de se manterem altas, as ocorrências contra bancos no Maranhão tiveram queda em 2016, se comparadas ao ano anterior – veja os dados completos e orientações de segurança.

No período, foram registradas 67 ocorrências, incluindo casos de assaltos a bancos, arrombamentos a caixas eletrônicos e agências bancárias, saidinhas bancárias – como são chamados os golpes contra clientes no entorno das agências – e tentativas de assaltos ou arrombamentos. Em 2015, haviam sido 84 ocorrências ao todo.

De acordo com dados do Sindicato dos Bancários do Maranhão (Seeb-MA), dessas 67 ocorrências, 47 foram de arrombamentos de caixas eletrônicos e agências bancárias, 10 de assaltos a bancos, quatro de saidinhas bancárias e seis tentativas de assaltos ou arrombamentos.

No último mês do ano, três agências bancárias foram violadas pelos bandidos e uma tentativa de arrombamento foi registrada no interior do Maranhão.

Mapa da violência contra bancos no Maranhão

Entre as cidades com registro de violência contra bancos no Maranhão, estão as mais populosas, incluindo a capital, São Luís. No mapa dos criminosos, a preferência é por cidades localizadas ao norte do Estado.

Paraibano, município com população estimada em 20 mil habitantes e localizada no leste do Estado, foi a cidade com maior número de ocorrências: três. Sete cidades registraram ao menos dois casos do tipo: Fortaleza dos Nogueiras, Gonçalves Dias, Igarapé Grande, São Luís Gonzaga do Maranhão, São Mateus do Maranhão, Vargem Grande e Vitorino Freire.

Alcântara, Alto Alegre do Pindaré, Amapá do Maranhão, Anajatuba, Araguanã, Bacuri, Balsas, Barreirinhas, Bela Vista do Maranhão, Bom Lugar, Buriti, Cajari, Campestre do Maranhão, Caxias, Centro Novo do Maranhão, Coelho Neto, Colinas, Duque Bacelar, Governador Eugênio Barros, Grajaú, Icatu, Imperatriz, Jenipapo dos Vieiras, Lago da Pedra, Maracaçumé, Mata Roma, Matinha, Monção, Nova Olinda do Maranhão, Olho-d’Água das Cunhãs, Paulo Ramos, Peri-Mirim, Peritoró, Pirapemas, Porto Franco, Santa Luzia do Paruá, Santa Luzia, Satubinha, São Benedito do Rio Preto, São Domingos do Maranhão, São João dos Patos, São Luís, Timon e Tufilândia registraram um caso cada.

O banco Bradesco teve o maior número de agências danificadas pela ação dos criminosos: 35. Já o Banco do Brasil teve 26 unidades no Maranhão destruídas pelos bandidos.

Anuário mostra alta de despesas com segurança pública, mas queda nos gastos com policiamento no Maranhão

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Dados consolidados do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira (3), mostram que o total de despesas com a segurança pública no Maranhão cresceu 5,9% entre 2014 e 2015, subindo de R$ 1,09 bilhão em 2014 para R$ 1,15 bilhão no ano seguinte. Apesar do aumento nas despesas com segurança pública como um todo, os gastos com policiamento no Maranhão tiveram queda de 14% no período.

Segundo o anuário, de 2014 para 2015, os gastos com policiamento no Maranhão caíram de R$ 145.276.677,44 para R$ 124.914.901,97, deficit de R$ 20,36 milhões. Os dados referentes aos gastos são do Ministério da Fazenda, da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

No mesmo período, o Estado aumentou os gastos com Defesa Civil, de R$ 9.119.615,14 em 2014, para R$ 15.417.741,24 em 2015; alta de 69,1%.

Em 2014 e 2015, o Estado não informou gastos com o setor de informação e inteligência.

Em todo o Brasil, as despesas com segurança pública alcançaram os R$ 76.192.183.540,29 em 2015, aumento de 11,6% se comparado ao ano anterior.

Despesa per capita com segurança pública

Em 2015, segundo o 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Maranhão gastou com segurança pública o equivalente R$ 167,33 por habitante. Em 2014, o gasto per capita foi de R$ 159,24.

Em todo o Brasil, o governo federal gastou o equivalente a R$ 372,61 por habitante com segurança pública.

“Em suma, várias são as evidências de que vivemos um colapso estrutural das políticas públicas. E essa percepção ganha força quando olhamos para as despesas efetuadas com segurança pública, na medida em que as convicções que circulam no debate público são relativizadas pelos dados. É verdade que os Estados continuam sendo os principais financiadores das políticas de segurança, mas, proporcionalmente, vale notar que os municípios são os entes que mais cresceram seus gastos na área, com quase 400% de incremento. A União, por sua vez, mesmo tendo crescido seus gastos na função segurança público, o fez por aumento das despesas com as polícias Federal e Rodoviária Federal”, destaca trecho do documento.

O que diz o governo

Até a publicação desta reportagem, o governo do Maranhão não havia se pronunciado sobre os números consolidados do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. No início da semana, por meio de sua agência de notícias, o governo destacou que “mediante a instituição do Pacto Pela Paz, um conjunto de ações na área de segurança que envolvem aquisição de equipamentos, investimentos em tecnologia, contratação de policiais e estreitamento das relações com a comunidade, houve redução em 20% do número de homicídios no primeiro semestre de 2016, em relação ao mesmo período de 2014”, e que contratou 1,5 mil policiais, comprou 450 veículos e modernizou sistemas de monitoramento e radiocomunicação da polícia.

Os investimentos, garantiu ainda o governo, resultou no aumento de 300% da média de casos elucidados em até três dias e no número de apreensões de armas e drogas, trazendo um prejuízo de mais R$ 6 milhões para o narcotráfico.

2.333 mortes violentas intencionais em 2015, no Maranhão

O 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostrou que no Maranhão, entre 2014 e 2015, praticamente todos os índices de violência aumentaram, segundo o informado pelas secretarias estaduais de Segurança Pública e/ou Defesa Social e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2015, foram registradas 2.333 mortes violentas intencionais, uma taxa de 33,8 para cada 100 mil habitantes, acima do índice nacional de 28,6 mortes. É pouco mais de seis mortes por dia. Em 2014, foram registradas 2.158 mortes violentas, 175 a menos que no ano seguinte.

Brasil tem mais mortes violentas do que a Síria em guerra, mostra anuário
Brasil tem mais mortes violentas do que a Síria em guerra, mostra anuário (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Fotos Públicas)

“Os números (…) são a tradução da enorme dificuldade em se reconhecer o drama da violência e alça-lo à condição de uma das pautas centrais do país. A violência, seja ela cometida na e pela sociedade ou aquela cometida pelo próprio Estado, é muitas vezes legitimada como resposta ao crime e há uma enorme distância entre discursos e práticas; entre o reconhecimento do problema e sua conversão em medidas concretas para o seu enfrentamento”, enfatiza a FBSP em trecho do anuário.

Em um ano, praticamente todos índices de mortes violentas têm alta no Maranhão

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Dados preliminares do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública sobre mortes violentas intencionais registradas no Brasil nos anos de 2014 e 2015, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostram que o Estado do Maranhão viu, nesse período, praticamente todos os índices de violência aumentarem. Para fazer um mapa da segurança pública no Brasil, o FBSP leva em consideração os dados das secretarias estaduais de Segurança Pública e/ou Defesa Social e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2015, foram registradas 2.333 mortes violentas intencionais, uma taxa de 33,8 para cada 100 mil habitantes, acima do índice nacional de 28,6 mortes. É pouco mais de seis mortes por dia. Em 2014, foram registradas 2.158 mortes violentas, 175 a menos que no ano seguinte.

Dos total de crimes letais intencionais, os homicídios dolosos são os que se destacam no anuário: em 2015, foram 2.007; contra 1.902 homicídios dolosos registrados em 2014.

Os latrocínios – roubos seguidos de morte – também aumentaram no Maranhão nesse período: foram 117 em 2015; contra 72 em 2014.

O único índice que registrou queda entre 2014 e 2015 no Maranhão foi o de lesão corporal seguida de morte: enquanto em 2014 foram registrados 124, em 2015 foram 67 casos em todo o Estado.

Mortes de policiais em confrontos também aumentam

Se os índices de violência contra a população já são alarmantes, os crimes contra policiais não deixam a desejar no Maranhão. O número de policiais civis e militares mortos em situação de confronto aumentou nas duas categorias apontadas pelo anuário.

Índice de mortes de policiais em confrontos também aumentou no Maranhão
Índice de mortes de policiais em confrontos também aumentou no Maranhão (Foto: Daniel Guimarães/ A2img/Fotos Públicas)

Em 2015, foram 14 mortes de policiais em serviço; enquanto em 2014 haviam sido apenas duas mortes. O número de mortes de policiais fora de serviço mortos em confronto com criminosos também aumentou: enquanto em 2014 foram 11 casos, em 2015 o número de mortes chegou a 30.

Em 2016, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), até o mês de setembro já foram registrados 565 mortes violentas somente na Região Metropolitana de São Luís – que, além da capital, inclui os municípios de Raposa, Paço do Lumiar e São José de Ribamar. Os dados de outubro não foram consolidados até a publicação da reportagem.

Caixões no Rio de Janeiro denuncia 4 mil mortes em 2016
Caixões no Rio de Janeiro denuncia 4 mil mortes em 2016 (Foto: Vladimir Platonow/Agência Brasil/Fotos Públicas)

Os dados consolidados ainda serão divulgados, mas já é possível observar que, entre 2011 e 2015, o país registrou mais mortes violentas que a Síria, país em guerra.

Segundo Estado do Nordeste com menor taxa de mortes

Apesar do aumento dos números, o governo do Maranhão, em sua agência de notícias, destaca que o Estado é o segundo da região do Nordeste com menor taxa de mortes violentas, à frente somente do Piauí. O governo atribui os investimentos em segurança pública à diminuição dos índices.

“Mediante a instituição do Pacto Pela Paz, um conjunto de ações na área de segurança que envolvem aquisição de equipamentos, investimentos em tecnologia, contratação de policiais e estreitamento das relações com a comunidade, houve redução em 20% do número de homicídios no primeiro semestre de 2016, em relação ao mesmo período de 2014”, diz trecho da publicação. Por meio do pacto, o governo contratou 1,5 mil policiais, comprou 450 veículos e modernizou sistemas de monitoramento e radiocomunicação da polícia.

Os investimentos, garante ainda o governo, resultou no aumento de 300% da média de casos elucidados em até três dias e no número de apreensões de armas e drogas, trazendo um prejuízo de mais R$ 6 milhões para o narcotráfico.